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sábado, 27 de julho de 2013

Campos Opostos

Dizem que os opostos atraem-se.
Que os mundos diferentes se tocam.
Que as almas se completam
E que no amor se focam.

- É verdade! - Dizem eles.
E digo eu também.
mas para se amar alguém
não se pode dar ouvidos
a quem não os tem.

Os opostos atraem-se
mas há que saber lutar.
Pois, quem não luta, não ama.
E quem não ama, não quer tentar,
seja o oposto ou do mesmo lugar.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

Coração sem sossego

Meu estômago revolveu-se
numa fúria de meter medo.
Minha mente sofredora
já nem tem sossego.

Meu coração bateu tanto
que nem deu para perceber
se bateu por ter de ser
ou se foi de pranto.

Também, não tanto...

Mas, bem cá dentro
a revolução dos sentimentos
faz-me mais atenta aos batimentos.

Oh coração, pára de bater
dessa triste maneira!
Senão vão pensar que é brincadeira
aquilo que eu estou a escrever!

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

Incompreensão

Sinto-me alheada do mundo
pela inadaptação ao presente
porém, estou deveras consciente
que estou quase lá no fundo.

Quisera eu usufruir
de um sonho artístico.
Mas que faço eu no porvir
se neste lugar meio místico
de mim se estão a rir?

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Biografia de Cesário Verde

Fotografia de Cesário Verde
( imagem da internet)
Cesário Verde foi um dos maiores Poetas Portugueses, porém findou-se muito cedo, com apenas 31 anos de idade. Nasceu em Lisboa em 1855 e a sua vida foi preenchida pela agricultura, pelo comércio e pela poesia. Em 1873, iniciou o Curso Superior de Letras mas rapidamente o abandonou prosseguindo como Correspondente Comercial. Ao mesmo tempo, Cesário Verde escrevia poesia para o Diário de Notícias perante a crítica mordaz de intelectuais influentes da época, tais como Ramalho Ortigão e Teófilo Braga. Em 1874, o poeta projectou a publicação de um livro de poemas, projecto esse que não se concretizou.
Cesário foi um poeta incompreendido, ignorado e muito criticado no meio literário Português. Mas isso não o impediu de escrever toda a sua vida. Escreveu para amigos, conhecidos e artistas até falecer em 1886, com tuberculose.
Cesário Verde, como muitos Escritores e Poetas daquela época, só foi reconhecido após a sua morte. O reconhecimento deu-se em 1887, pelo seu grande amigo Silva Pinto. Nessa data foi publicado o que viria a ser o primeiro volume de poemas de Cesário, cujo título é: "O livro de Cesário Verde". O que sobrou inédito, acabou por perder-se para sempre num incêndio que lhe devorou a casa em 1919. 
A importância de Cesário Verde reflete-se na poesia actual. Cesário, foi um dos iniciadores da poesia moderna. A sua poesia trata de pessoas do campo ou da cidade, das coisas humildes, de coisas simples, de coisas do quotidiano e critica os meios intelectuais da sua época com uma ironia cortante. As principais características da poesia de Cesário são: O realismo, a análise, a ironia e a visão objectiva.
Entre os poemas mais conhecidos estão: Cristalizações, Horas mortas, Deslumbramentos e Contrariedades.

Estátua de Cesário Verde ( imagem da internet)

Contrariedades - Poema de Cesário Verde.

"Eu hoje estou cruel, frenético exigente;
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
Consecutivamente.

Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos:
Tanta depravação nos usos, nos costumes!
Amo, insensatamente, os ácidos, os gumes
E os ângulos agudos.

Sentei-me à secretária. Ali defronte mora
Uma infeliz, sem peito, os dois pulmões doentes;
sofre de faltas de ar, morreram-lhe os parentes
E engoma para fora.

Pobre esqueleto branco entre as nevadas roupas!
Tão lívida! O doutor deixou-a. Mortifica.
Lidando sempre! E deve a conta à botica!
Mal ganha para sopas...

O obstáculo estimula, torna-nos perversos;
Agora sinto-me eu cheio de raivas frias,
Por causa dum jornal me rejeitar, há dias,
Um folhetim de versos.

Que mau humor! Rasguei uma epopeia morta
No fundo da gaveta. O que produz o estudo?
Mais uma redação, das que elogiam tudo,
Me tem fechado a porta.

A crítica segundo o método de Taine
Ignoram-na. juntei numa fogueira imensa
Muitíssimos papéis inéditos. A imprensa
Vale um desdém solene.

Com raras excepções, merece o epigrama.
Deu meia-noite; e em paz pela calçada abaixo,
Soluça um sol-e-dó. Chuvisca. O populacho
Diverte-se na lama.

Eu nunca dediquei poemas às fortunas.
Mas sim, por deficiência, a amigos ou artistas.
Independente! Só por isso os jornalistas
Me negam as colunas.

Receiam que o assinante ingénuo os abandone.
Se forem publicar tais coisas, tais autores.
Arte? Não lhes convém, visto que os seus leitores
Deliram por Zaccone.

Um prosador qualquer desfruta fama honrosa,
Obtém dinheiro, arranja a sua coterie.
E a mim, não há questão que mais me contrarie
Do que escrever em prosa.

A adulação repugna aos sentimentos finos;
Eu raramente falo aos nossos literatos.
E apuro-me em lançar, originais e exactos,
Os meus alexandrinos...

E a tísica? Fechada, e com o ferro aceso!
Ignora que a asfixia a combustão das brasas.
Não foge do estendal que lhe humedece as casas,
E fina-se ao desprezo!

Mantém-se a chá e pão! Antes entrar na cova,
Esvai-se; e todavia à tarde, francamente,
Oiço-a cantarolar uma canção plangente
Duma opereta nova!

Perfeitamente. Vou findar sem azedume.
Quem sabe se depois, eu rico e noutros climas.
Conseguirei reler essas antigas rimas.
Impressas em volume?

Nas letras eu conheço um campo de manobras:
Emprega-se a réclame, a intriga, o anúncio, a blague,
E esta poesia pede um editor que pague
Todas as minhas obras.

E estou melhor; passou-me a cólera. E a vizinha?
A pobre engomadeira ir-se-á deitar sem ceia?
Vejo-lhe luz no quarto. Inda trabalha. É feia...
Que mundo! Coitadinha!"

Cesário Verde - Porto, 18 de Março de 1876

Este poema foi retirado do Manual de Língua Portuguesa do 11º Ano, Página Seguinte, Texto Editores.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

O que é um Escritor?

Queridos leitores e amigos da Rainha, este é um assunto que sinto obrigação de esclarecer. Bem, independentemente das definições alheias, eu tenho uma definição muito própria no que toca a ser Escritor. Um Escritor é, acima de tudo, uma pessoa que escreve. Um cantor é uma pessoa que canta, um dançarino é uma pessoa que dança, um pintor é uma pessoa que pinta. Assim sendo, para mim, um Escritor é uma pessoa que escreve. Isso mesmo! Não importa se tem ou não livros Editados, se tem ou não jeito para escrever, se as pessoas gostam ou não. Não importa se escreve em papel ou numa plataforma digital. Não importa se escreve a caneta, a lápis, ou com outro tipo de material. Também não importa o género. Se é Romance, Ficção, Infanto-juvenil ou Poesia. Não interessa se o texto é Científico, Técnico ou outra coisa qualquer. O que interessa, meus amigos, é que um escritor é uma pessoa que escreve. Claro que existem os Escritores Profissionais, os Amadores e até os Escritores Fantasma que ninguém conhece. Mas todos eles são Escritores. Por quê? Simplesmente, porque escrevem. 

No meu caso, sou Escritora por quê? Porque escrevo desde os meus nove anos de idade, e desde essa altura tive oportunidade de escrever em diversos formatos e plataformas. Comecei a escrever pequenos Contos para me entreter, depois escrevi Diários, escrevi diversos textos para Revistas e Jornais locais, escrevi para amigos e familiares, escrevia na escola, em casa, e onde calhasse. Anos mais tarde, iniciei um blogue (Rainha das Insónias) que já existe há mais de dois anos. Também, escrevi para websites e outros blogues como freelancer (coisa que continuo a fazer), fiz parte de duas colectâneas de Poesia cujo lançamento foi este ano e mais recentemente, está previsto sair em breve o meu primeiro livro a solo. Pela minha descrição, tenho a certeza que o leitor ficou a conhecer-me um pouco melhor. Espero que isto sirva de inspiração a todos aqueles que escrevem e que sonham um dia ter esta Profissão.

Resumindo, o que é um Escritor? Um Escritor é uma pessoa que escreve.

Agora digam lá de vossa justiça, concordam comigo?

Dia 25 de Julho é dia Nacional do Escritor


Parabéns a todos os Escritores de todo o País e do mundo inteiro. Hoje é o nosso dia! :)

Pai, lembras-te?



Pai, lembras-te?

Tu remavas o barco
pelo Rio Lisandro
e eu sorria para a foto
pensando...

que seria sempre assim.

Pai, lembras-te?

Lembras-te quando
te perguntava
se estava bonita?
Vestia o meu melhor vestido
para estar toda catita.

Pai lembras-te?

Eras o pai mais forte
mais alegre, com mais saúde.
Agora frágil, com uma tal quietude
que me moi por dentro.

Pai, Lembras-te?
Eu também me lembro.

São recordações,
que não esqueço.
Emoções felizes
que não têm preço.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Piada de cobra

Queridos leitores e amigos da Rainha, esta tinha mesmo de partilhar. :) Boa noite e até amanhã!


imagem retirada do facebook

Vamos Comunicar! - Acróstico

Comunicar é utilizar
Os próprios meios.
Manusear as ferramentas
Utilizando os aparelhos.
No seu estado mais lógico
Imitando quem sabe,
Caminhando lado a lado.
Aprendendo e ouvindo
Reciclando ideias.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

Cidade Versus Aldeia

Na cidade, enfrento o trânsito
que teima em importunar
o dia-a-dia de quem passa
a pé, ou de carro a buzinar.

Na aldeia, toda a gente se fala
A vizinha conhece-me bem.
E quando preciso de ajuda
ela larga tudo e vem.

Na cidade, acordo tarde
pois dormir cedo não é o lema.
É assim porque à noite
ainda quero ir ao cinema.

Na aldeia, acordo com as galinhas
e milho tenho de lhes deitar,
senão estou feita ao bife,
elas vêm-me picar.

Na cidade o tempo voa
não há tempo para parar.
Se por acaso a roupa destoa
já não há tempo para mudar.

Na aldeia, os animais são o relógio
e o sol o nosso mapa.
A igreja é algo sagrado,
tão sagrada como o Papa.

Na cidade, é diferente.
É o salve-se quem puder.
A fé é ao Domingo
e o resto se Deus quiser.

Na Cidade ou na Aldeia
não interessa se sou feia.
O que interessa é ser feliz,
e ter uma vida à maneira.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

Pobres dos Ricos.

"...Não tenho nada
mas tenho tudo
sou rica em sonhos
e pobre em ouro
mas não me importo
pois, só por ter dinheiro, 
não compro amigos, 
sonhos e o amor verdadeiro...."

Luciana Abreu, Floribela.


Eu também sou assim, sou rica em sonhos. E mesmo com pouco dinheiro, continuo a acreditar na Felicidade.

E o caro leitor, também pensa assim?

E, já agora, quem se lembra destes versos? :)

terça-feira, 23 de julho de 2013

Hoje Madruguei.

Hoje madruguei e vi o nascer do sol que, como sempre avançou passo a passo para se fazer notar. O chilreio dos pássaros na árvore da vizinha também indicavam o início da manhã. Os mesmos, preparados para uma reunião da espécie, empoleirados no ramo mais alto, diziam qualquer coisa que só eles entendem. Bem me esforcei mas nada percebi. Inspirei fundo e preparei-me para mais um dia. «Será este, melhor do que ontem? Tem de ser!» Pensava eu enquanto bebericava uma chávena de café caseiro e mastigava uma pequena tosta com manteiga. Após o pequeno almoço e a meditação inicial, preparei-me para escrever qualquer coisa enquanto ouvia calmamente a minha rádio preferida... E saiu isto. Não há nada melhor do que começar o dia a escrever. :)

Mais um ano se aproxima - Reflexão.

Mais um ano se aproxima e eu tendo em refletir sobre aquilo que conquistei e sobre as derrotas que enfrentei. Os anos passam e a vida muda, mas há algo que permanece intrínseco em nós, como as cores avermelhadas e amareladas do Outono, ou como a praia e o sol no Verão. É uma marca que trazemos para sempre no coração e naquilo que fazemos. E essa marca persegue-nos em vida e a muitos se prolonga após a morte, por longos anos até ser finalmente esquecida pelo tempo. Tempo. Esse tempo que nos dá e que nos tira. O mesmo que nos ilude e nos desilude com as suas subtis respostas. Mais um ano em que preciso refletir e decidir como vai ser, a partir de agora. Já não sou criança. Já não sou adolescente. Já não estou no fascínio do estado adulto. Afinal quem sou eu? Esta é a questão que mais fiz nos últimos anos. E sei que vou continuar a fazer, seja qual for a idade em que me encaixe. Porquê? Porque quero mais da vida. Porque vou querer sempre mais do que aquilo que já conheço. Esta é a minha natureza: a insatisfação em pessoa, a tendência para fugir do banal, a vontade imensa de aprender coisas novas, a inadaptação ao cotidiano... Por tudo isto, quero avaliar por mais um ano, por qual caminho devo seguir. Faltam quase dois meses, e eu sinto que tenho de mudar qualquer coisa em mim e no ambiente em que eu própria me insiro. Quando olho para trás vejo um enorme percurso camuflado por imensas coisas insignificantes. Há que mudar o paradigma e olhar em frente, sem olhar para trás. O próximo ano, tem de ser diferente.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Os números anónimos

Não gosto de números anónimos. Para mim, os números anónimos são sinal de desonestidade. Normalmente são empresas pouco sérias que os utilizam ou uns quantos chicos-espertos que acham que podem brincar à vontade sem serem apanhados. Eu nunca atendo números anónimos. Bem podem insistir que eu não atendo. E porquê? Porque todas as vezes que me lembrei de atender foi para me enervar. Assim, quando o telefone toca só atendo se o número estiver visível. Se conheço a pessoa, atendo sem demora. Se não conheço, faço uma expressão interrogativa mas também atendo. Por outro lado, se o número for anónimo deixo tocar. E vocês caros leitores? Atendem números anónimos? Qual a vossa opinião sobre isso?